Eu sou…
Eu sou um ‘cara’ que nasceu em Pernambuco, especificamente na capital. Cresceu jogando bola e ouvindo rádio pelas bandas da Caxangá. Ainda ‘pirráia’ quebrou a perna correndo atrás da pelota, isso já aos quatro aninhos. Aos oito foi levado por seu irmão mais velho a um lugar mágico, lindo, diferente. Lá um time de futebol vestia vermelho e preto e as pessoas cantavam e agitavam bandeiras. Uma batucada fazia barulho, enquanto que o time de vermelho e preto fazia um gol. Que lindo! Era 1975 e o Super Time da Ilha vencia o América-PE: 1 a 0, gol de Assis Paraíba (craque, camisa 10 do Leão que jogava a toque de tambores de maracatu).
Durante uns vinte anos tentou ser, além de goleiro, publicitário. Quebrou a cara. Nem virou ídolo, nem ganhou dinheiro. Dizia, quando ‘maloqueiro’, que ia ser veterinário, mas uma faculdade de Radialismo foi o que apareceu no destino que a cigana leu. Não satisfeito, inventou de fazer faculdade de Letras. Ser chamado de professor é bem melhor do que ‘vossa excelência’ né não?!
Hoje fala no rádio, apresenta eventos e se ‘aperreia’ com as aulas de lingüística. Gosta de trabalhar, de colecionar rádios antigos, de cuidar dos tantos cachorros pegos na rua e de ver Dona Maria José frevando nas sociais da Ilha do Retiro: sua bênção Dona Maria!
E que a professora Belkyria jamais descubra que era ele quem ficava no fundo da sala, imitando Ivan Lima narrar gol de Merica.
“Golaço! Merica! Sport! É bola na rrrrrrrrrrrrrede!”





